God bless the Politburo


Bolívar homenageando o Exército brasileiro


"God bless America"! Essa é a frase que dez entre dez estadunidenses clamam inúmeras vezes por dia, ao menos entre os conservadores. Contudo, o que salvará os estadunidenses, como toda população mundial, serão as vacinas e os insumos, além do oxigênio. China e Rússia, com suas respectivas Coronavac e Sputnik V, estão nos dando uma ponta de esperança de tudo começar a mudar, ao menos nos países onde a necropolítica não é o regime de governo. Mesmo com os ataques antidiplomáticos desferidos pelo governo brasileiro e seus apêndices, como ministros e o clã presidencial, os países que uma vez já se auto intitularam comunistas e governavam a partir de seus Politburos (comitês centrais do Partido Comunista), estão sendo o respiro para a saída dessa terrível crise. Essa ideologia persecutória dos Bolsonaro tem causado ao país milhares de mortos. Como diria Millôr Fernandes, "desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal".


E não só esses países têm dado apoio logístico ao Brasil. Índia e Venezuela têm atendido ao Brasil com oxigênio e insumos, ainda que o governo de nosso país insista em teorias conspiratórias e replique aqui as sandices trumpistas, não obstante o alaranjado presidente dos EUA tenha saído pelas portas do fundo da Casa Branca. Logo, Deus abençoe também Bolívar e Rajá. Ou que Buda nos proteja.


Nos disse um dos filhos zero qualquer coisa do presidente: "acontece nos EUA, acontece no Brasil". Se referia aos ataques terroristas cometidos por supremacistas brancos ao Congresso daquele país. Contudo, espero que o inepto congressista brasileiro esteja certo, pois as instituições democráticas estadunidenses sobreviveram ao caos dos últimos quatro anos. Que aqui seu pai seja impedido e que a democracia tenha oxigênio para resistir.


O polímata e polêmico Millôr Fernandes, grande crítico da política partidária brasileira, certa vez vociferou: "o Brasil é os Estados Unidos onde vivo". O poder da ironia desse grande gênio uniu a equação entre o bovarismo apontado por Lima Barreto e o viralatismo denunciado por Nelson Rodrigues, tão presentes no clã Bolsonaro. Se pudesse Millôr definir o presidente (na verdade o fez de maneira profética), o faria assim: "todo governante se compõe de 3% de Lincoln e 97% de Pinochet".


Cai como uma luva para o presidente, apesar de haver, no próprio Millôr, um pouco de bovarismo. Sejamos latino-americanos (como falta isso ao brasileiro!) e substituamos Lincoln por Allende. As velhas ondas conservadoras que assolam algumas partes do mundo, e varrem o Brasil com pautas neofascistas e álibis infundados que "justificam" a necropolítica, têm feito do Brasil um obituário perene. "Quando uma ideologia fica bem velhinha vem morar no Brasil", sapecou Millôr.


Incontáveis já são as causas jurídicas para o impeachment de Bolsonaro. Mesmo com os fatos acima narrados, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, insiste em dizer que não há inclinação política para o impedimento. O que espera o congressista? Que morram os seus? Uso Millôr como verdadeiro argumento de autoridade: "político é um sujeito que convence todo mundo a fazer uma coisa da qual ele não tem a menor convicção"!


Dizer o quê da esquerda que se imiscui com essa necropolítica, com esse Centrão que ampara os desmandos do país? Apoiar Rodrigo Pacheco, candidato de Alcolumbre e Bolsonaro, ao Senado? Três candidatas ao governo da cidade do Rio de Janeiro? Voltemos ao escritor e desenhista carioca, "não gosto da direita porque ela é de direita, e não gosto da esquerda porque ela é de direita"! Em alguns casos ele teria razão, inclusive no atual cenário. Como ainda não há viabilidade política para o Impeachment? O que a esquerda fez, institucionalmente, além de pedidos difusos e notinhas de repúdio para tornar viável o impedimento? Eu gosto daqueles que defendem os direitos humanos e que praticam e promovem políticas de inclusão e emancipação. Estão, invariavelmente, no campo da esquerda. Mas há essa outra esquerda que nada mais é que um grupo de conservadores em alegorias jacobinas.


"A ociosidade é a mãe de todos os vices", ensinou Millôr! Para além da decoração de Temer, Mourão tem limpado as dejeções presidenciais. E ponto. Sua única contribuição é a de dar eufemismos ao baixo calão do capitão defenestrado pelas Forças Armadas.


PS1: "Eu posso não ser um bom exemplo, mas sou um bom aviso" (Millôr Fernandes)


PS2: acróstico [a·crós·ti·co] sm: 1 Composição em que as letras iniciais, em sentido vertical, formam um nome de pessoa ou coisa, tomado como tema (Dicionário Michaelis).


Yussef Daibert Salomão de Campos

Professor da Universidade Federal de Goiás, autor do livro Palanque e Patíbulo: o patrimônio cultural na Assembleia Nacional Constituinte e articulista do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult)



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